XII EBGLT - Encontro Brasileiro de Gays, Lésbicas e Transgêneros “Adamor Guedes”
Tivemos a honra de participar, na condição de delegada, representante da Falt, do Encontro supra citado, ocorrido no período e cidade também citados, nas dependências do Congresso Nacional.
Em virtude desse privilégio, tentaremos fazer um breve resumo do que houve nesse Encontro, bem como de nossas impressões a respeito.
Organizado pelo grupo Estruturação, de Brasília, com a direção geral do Presidente do Grupo, Welton Trindade, o evento teve início na tarde do dia 08, às 17h, no espaço em frente ao Congresso Nacional.
Na oportunidade, houve manifestação em apoio à aprovação da união civil registrada e da criminalização da homofobia, além da implementação do programa Brasil sem Homofobia.
Usaram a palavra a Deputada Federal sra. Iara Bernardi, o sr. Toni Reis, assessor parlamentar, a sra. Yonne Lindgren, do CNCD (Conselho Nacional de Combate à Discriminação), o sr. Cláudio Nascimento, também pelo CNCD, e várias outras personalidades, que inclusive protestaram contra a Rede Globo pela não apresentação do beijo entre os personagens da novela “América”, que tinha sido anunciado para o último capítulo.
Na ocasião, alguns representantes do Movimento GLTTB simularam um “beijaço”, proferindo palavras de ordem contra a homofobia. (O que, infelizmente, foi usado pela mídia de forma deturpada, a nosso ver, sendo alvo de comentários no dia seguinte).
Tivemos, também, oportunidade de usar a tribuna, como representante da Falt, fazendo um breve histórico do Grupo e de nossos objetivos.
Em seguida, houve a solenidade de abertura do XII Encontro “Adamor Guedes”, com o lançamento da Revista Memória GLBT, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.
Estiveram presentes, à mesa de abertura dos trabalhos, representantes do Grupo Estruturação, de Brasília (organizador do evento), Ministérios da Cultura, do Trabalho, da Educação, da Justiça, Secretarias Especiais de Políticas para as Mulheres e para a Promoção de Igualdade Racial, Programa Nacional DST/Aids, Subsecretarias: de Direitos Humanos da Secretaria –Geral da Presidência da República e de Direitos Humanos do DF, Frente pela Livre Expressão Sexual, Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), Articulação Nacional de Transgêneros (ABL), Liga Brasileira de Lésbicas, União Brasileira de Transexuais, além das Deputadas Federais Maninha (PSol- DF) e Iara Bernardi (DF).
Esse primeiro dia do Encontro foi denominado “Dia Marcela Prado,”, em homenagem a essa ativista, falecida em 2004, uma das fundadoras da ABGLT – Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros.
Na seqüência, a quarta feira 9/11 teve o nome de “Dia Charla Novi”, em homenagem à também ativista que combateu o abuso sexual contra transgêneros e profissionais do sexo, no Rio de Janeiro, e faleceu em 2003.
Na plenária inicial desse dia houve o credenciamento de delegados representantes de grupos GLTB. Algumas impugnações (inclusive a minha, enquanto representante da Falt) foram propostas por membros da plenária, e, no direito à defesa, ganhei a condição de representar a Falt – Grupo Famílias Alternativas – com direito a voz, voto e veto.
A mesa foi composta por Mirian Weber e Marcelo Nascimento, presidente e vice da ABGLT, Keyla Simpson – presidente da Antra – Associação Nacional de Transgêneros, Toni Reis, coordenador do projeto Aliadas, Julian Rodrigues, assessor parlamentar, e Maria Amélia Manarini, do grupo Mo.Le.Ca., de Campinas, todos sob a coordenação de Bárbara Graner (SP). Esteve presente à Mesa, também, a Deputada Federal Iara Bernardi.
Antes da reflexão sobre o tema em questão, foi apresentado e lido o Regimento Interno do XII EBGLT “Adamor Guedes”, que norteou todos os trabalhos e teve por finalidade dirimir dúvidas com relação à organização, à forma como os trabalhos seriam conduzidos, além da participação específica dos espectadores e delegados. .
O assunto enfocado na primeira Mesa foi “Conjuntura Nacional e o Movimento GLBT”.
Após o almoço, o assunto foi “Brasil sem Homofobia”. A mesa foi composta pela Deputada Federal Iara Bernardi, Cláudio Nascimento, Yone Lindgren, Caio Varela, sob coordenação de Kellen Veras (AM).
A segunda Mesa do dia teve como tema: “A Garantia do Estado Laico e o Combate aos Fundamentalistas”, com a participação do Juiz Roberto Arriada Lorea (RS), de Célio Golin, do grupo Nuances (RS), com a coordenação de Fernanda Benvenutti – Associação de Transgêneros da Paraíba – ASTRAPA.
Há que se comentar que, após cada explanação pela mesa, seguia-se um debate, pela ordem de inscrição, com a participação dos membros que, na platéia, inscreviam-se, através de voluntários da Comissão Organizadora, para dirimir dúvidas ou fazer comentários.
Ainda na quarta feira dia 9, após o término dos trabalhos no Congresso, houve no Hotel Sant Peter, onde estávamos hospedad@s, reunião dos seguintes segmentos: gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais, que prolongaram-se até altas horas da noite.
A quinta feira 10/11 recebeu o nome de “Dia Janaína Dutra”, em homenagem a essa militante cearense, bacharel em Direito, que atuou no Grupo de Resistência Asa Branca de Fortaleza e faleceu em 2004, aos 43 anos de idade.
O primeiro debate teve o tema: “ Organização Nacional GLT: o que nos afasta e o que nos une?” com a presença de todos os segmentos de âmbito nacional representados, sob a coordenação de Paulo Mariante, do Grupo Identidade, Campinas.
Houve muitas participações nos questionamentos que foram propostos, em seguida, à Mesa.
A segunda reflexão dessa manhã foi sobre “O Movimento GLT e outros movimentos sociais”, com representantes da UNE, CUT, Gilberta Soares pela Rede Feminista Saúde, Lúcia Xavier, pelo Crioula, Caio Varela, pelo Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos, sob a coordenação de Marcelo Cerqueira (GGB- Bahia)
A tarde do dia 10 foi dedicada às Tribunas, num total de 15, com os seguintes temas, que foram desenvolvidos e debatidos em 15 salas diferentes:
Candidaturas GLT; Representação de GLT na mídia e cidadania; Movimento GLT e Universidades; Educação pela Diversidade de orientação sexual e identidade de gênero; Políticas Públicas de Saúde e Controle Social; Conjuntura e movimento internacional; Judiciário e questão GLT; Debate geracional no movimento GLT; Respeito à diversidade de orientação sexual e identidade de gênero nas relações de trabalho e emprego; GLT e Igualdade Racial; Juventude GLT; Ações e reflexões do Movimento GLT em DST/Aids; Esporte e cultura como fatores de mobilização social; GLT nas religiões; Políticas Públicas Municipais para GLT; e, finalmente, Famílias Arco-Íris. Essa última tribuna teve a participação de Luiz Melo, da Universidade Federal de Goiás, e Irina Bacci, do Grupo Inova.
Particularmente, foi-me muito gratificante ter sido convidada para substituir a sra. Yvone Lindgren na tribuna sobre Debate Geracional no movimento GLT, que por motivo de saúde não pôde estar presente ao mesmo. Estive nesta tribuna acompanhando Marcelly Malta, do grupo Igualdade (RS), e Roberto Kaiser, da ABGLT .
O tema deste debate enfocou a atuação da “velha guarda” GLTB e as novas lideranças que vêm surgindo, nos vários grupos em todo o Brasil: pontos de semelhança e conflitos, forma de gerenciá-los, respeito mútuo, etc.
Na tribuna sobre “Famílias Arco-Iris”, Luiz Mello e Irina Bacci enfocaram os problemas básicos das famílias constituídas por pessoas homoparentais e seus filhos, naturais, de casamentos anteriores, adotivos ou inseminados.
Após o encerramento dos trabalhos nesse “Dia Janaína Dutra” continuaram as reuniões dos segumentos, desta feita no Hotel Saint Peter, até altas horas da noite.
O último dia do evento homenageou a militante carioca Beth Calvert. Falecida em 2001, ela trabalhou pelas mulheres negras moradores da periferia e presidiárias, auxiliando a criação do movimento de lésbicas de Minas Gerais. Beth foi também organizadora do I SENALE (Seminário Nacional de Lésbicas).
Esse dia, 11/11, sexta feira, teve início com a Plenária Final, onde foram apresentadas diversas moções: de apoio, de repúdio, de homenagem e proposições, sendo que a maior parte delas foi aprovada pelo plenário, sendo encaminhada aos canais competentes.
Seria necessário um novo documento, à parte, para listar todas essas moções. Podemos transcrevê-las, se houver manifestação de vontade dos membros do grupo Falt.
De nossa parte, apresentamos uma proposição, que foi votada e aprovada, para que haja aumento do número de profissionais psicólogos voltados ao público GLTB na rede pública de Saúde, em função da necessidade da demanda e dos altos honorários, que a maioria da população não tem condições de honrar, particularmente.
Na “ementa” dessa proposição, solicitamos também que os psicólogos brasileiros sejam melhor orientados a cumprir a Resolução 1/99, do Conselho Federal de Psicologia, que proíbe aos profissionais Psicólogos quaisquer manifestações, públicas ou no seu exercício profissional , de homofobia explícita ou pronunciamentos e atitudes homofóbicas.
Na tarde da sexta feira, durante a Sessão Plenária Final e após reunião dos diversos segmentos e acalorado debate, foi eleita a cidade de Porto Alegre para sediar o XIII Encontro GLTTB, em 2006.
Não obstante as falhas que, a meu ver, seriam inevitáveis em um evento de tal dimensão, acredito que o XII EBGLT de Brasília foi , de forma geral, muito bom. Houve intensa participação, tanto dos grupos representados como de seus delegados e observadores, além da presença, no Auditório Nereu Ramos, de vários deputados do Brasil todo que se solidarizaram com nosso movimento, e fizeram questão de demonstrar isso com suas participações, embora rápidas, e algumas falas.
Estão de parabéns os muitos voluntários que trabalharam nos vários setores do Encontro, desde a recepção até a digitação dos documentos, encaminhamento, atendimento ao público, etc.
Entre @s voluntári@s, foi-nos muito gratificante encontrar nossas companheiras de Falt, Kátia e Lígia, que inclusive levaram a sua filhinha Bianca no último dia do evento.
Parabenizo, também, o Grupo Estruturação, na presença de seu presidente sr. Welton Trindade, pela grande boa vontade e paciências demonstradas durante os quatro dias de evento.
Um agradecimento especial se faz necessário à Assembléia Legislativa, que através de seus representantes legais e funcionários, do mais alto escalão aos mais humildes, foram extremamente afáveis e prestativos, dando-nos toda a orientação que fosse necessária.
Maria Rita Lemos
Grupo Famílias Alternativas – FALT
Limeira, SP, 15 de Novembro de 2005

